ComportamentoSaúde

Maternidade solitária.

Foto: Isa Silvano

Ninguém me falou sobre isso!

Quando engravidei eu tinha uma rotina bem corrida, já quase não me sobrava muito tempo para sair e rever os amigos, eu estava sempre na estrada, trabalhando ou competindo, e realmente “falhei” em não conseguir dar aquela atenção a todos os programas que as turmas agitavam.

Mas, depois de me ver gravida, e ter dado a noticia pro mundo, muitos – pra não dizer todos – os convites para qualquer programa sessaram, ou eram aqueles convites que, obviamente, eu não iria acompanhar.

Fiz uma pequena reflexão a respeito, é incrível como ‘excluímos’, talvez de forma inconsciente, quem esta nessa fase.

Lembrei-me de algumas, poucas vezes, que também deixei de convidar alguma amiga pra sair, porque ela estava gravida, por saber que ela não iria mesmo, e que em nenhum dia da minha agenda eu mudei de programa pra lhe fazer companhia.

Por sorte foram 1 ou duas vezes que isso aconteceu, pois eu tenho bem poucas amigas que passaram essa fase antes de mim.

Alguns amigos, de anos, sequer me viram gravida! Apesar de eu ter tempo sobrando para encontra-los, só não queria que os encontros fossem em bares ou baladas, era, muitas vezes, o único pré-requisito, mas, sem perceber talvez, eram só esses programas que apareciam nos grupos.

Depois que o João Pedro nasceu, o que eu achei que ia melhorar, piorou! Apesar das visitas nos primeiros meses, poucos amigos me perguntavam como eu estava, e alguns até hoje não conhecem o JP.

Passei um puerpério pesado, querendo dividir um pouco do que eu sentia, mas acabava guardando pra mim já que nem tudo a gente quer dividir com marido e mãe!

Eu entendo que quando estamos gravidas ou depois que o filho nasce a gente fica meio sem assunto, falamos em bebe o tempo todo, muitas não bebem, não dirigem pra todo lado e nem pegam baladas, e também nem sempre conseguem deixar o bebe com alguém, o que torna alguns programas inviáveis, e eu também entendo que muita gente não tem muita paciência com isso, eu já fui assim, e me envergonho disso.

Mas se as pessoas a nossa volta tivesse a pequena noção do quanto isso nos ajuda, e acalenta o nosso coração, com certeza seria diferente. Não precisa de muito tempo, nem de uma programação muito elaborada e cheias de adaptação. Só um pouco de atenção e sabermos que não estamos sozinhas – não como mãe, mas como pessoas – já nos aliviaria. Churrasco, um café, um jantar, pode ser divertido com um novo membro na turma, e acalenta o coração de uma amiga que pode estar passando por uma fase difícil.

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